Piso com ladrilho hidráulico de 100 anos. Sendo aproveitado para piso da área externa da Galeria
LARRY CALHOUN é norte-americano, de West Virginia, e percorreu o mundo todo dispondo de um fabuloso arquivo de fotos de suas viagens. %2020.50.39_825e4816.jpg)
Vinda do Rio de Janeiro a caminho de Montevideo CHRISTIANE SENRA deu uma parada em Pelotas para visitar a GALERIA CAMARA CLARA e deixar dois quadros para a exposição de acervo que estou procurando montar conjuntamente com uma sessão de autógrafos.
Os trabalhos são montagens inspiradas no movimento que promovemos para preservar a pavimentação de paralepípedos do trecho da General Teles que batizei de ENTORNO DO CAFÉ LAMEGO.
Começamos a ter assim, com esta contribuição, um significativo conjunto de trabalhos a serem expostos.
Concomitantemente seguem as iniciativas de reformulação do espaço físico da Galeria.
A galinha fugidia ENIO ANDRADE
Eu tinha mais ou menos cerca de doze anos quando o fato aconteceu. Certa manhã minha mãe me chamou e disse que precisava que eu fosse até a casa da Lurdes. A Lurdes era uma amiga do tempo de sua juventude que tinha perdurado, talvez a única. Minha mãe tinha uma vida muito difícil e eu estava incluída, mesmo sem ter escolhido. Eram muitos irmãos, muita demanda.
O dia mal começava e já tínhamos que sair para dar conta de nossa sobrevivência. Naquele dia os “acontecimentos”, que era como chamávamos nossas dificuldades começaram cedo. O gás acabou um pouco depois das dez horas da manhã. Justo naquele dia em que minha mãe iria fazer um arroz com galinha. A galinha nos foi dada por um pai de santo amigo de minha mãe. Era uma sobra de um “trabalho” que lhe fora encomendado.
- vai lá na lurdes e pede pra ela fazer uma comida.
Eu assenti com um gesto de baixar a cabeça. Minha mãe passou a mão em um balaio e botou a galinha ali dentro. Esqueci de mencionar que a galinha estava viva. Não era incomum que as pessoas matassem as galinhas em casa. Eu mesma já tinha visto muitas vezes minha mãe matar várias. Confesso que não era uma coisa boa de se ver. A pessoa pegava a galinha e começava a girar a bicha no ar até que o pescoço quebrava e pronto. Outras colocavam uma das mãos na base do pescoço da galinha enquanto colocavam a outra mão mais próxima à cabeça e puxavam as duas mãos ao mesmo tempo e em sentido contrário.
O balaio tinha duas tampas, minha mãe me advertiu para que não o abrisse.Fui andando na direção da casa da lurdes. A lurdes morava a cerca de dez quadras de nossa casa. Era ali no centro, bem pertinho. Fui andando distraída como era o meu costume, atenta a tudo que fosse curioso e desatenta com o restante. Ao chegar à rua almirante
barroso parei porque era uma rua muito movimentada e minha mãe sempre dizia para tomar cuidado.
Minha mãe não precisava nem sair de casa para tomar conta de mim, estava em minha cabeça como uma espécie de consciência. Sempre dizendo, faça isso, faça aquilo, com aquela sutileza de locomotiva, que ela não me ouça. Ao parar para olhar para os dois lados tive a curiosidade de conferir se estava tudo bem com a galinha.
Mal abri a tampa do balaio e a galinha num gesto abrupto a empurrou com a cabeça e saltou para a liberdade. A galinha devia estar com muito medo porque só o desespero nos faz tão corajosos, mas o que estou dizendo? Passado aquele primeiro momento de surpresa comecei a me desesperar, e agora? Minha mãe vai me matar.
Precisava fazer alguma coisa. Não conseguia pensar direito, a imagem de minha mãe ouvindo sobre a perda da galinha povoava a minha cabeça de uma tal maneira que sobrava pouco espaço para uma reação. Enquanto eu me debatia em lamentações a galinha já tinha atravessado a rua movimentada e estava parada bicando o chão em busca de algo para comer, pensava eu.
A imagem da galinha ali parada recobrou em mim alguma esperança, quem sabe eu a pudesse recuperar e apagar de minha mente aquelas cenas horríveis em que minha mãe me tirava o couro. Decidi ir atrás da galinha, atravessei a rua resoluta e com uma determinação que não julgava possuir, devia ser algum arroubo de coragem apreendido por mim de algum personagem daquelas fotonovelas intermináveis que eu lia com tanto gosto em um dos poucos intervalos que aquela vida miserável me permitia.
A galinha continuava lá impassível, parada ali como se quisesse me desafiar. A liberdade daquela galinha era como uma afronta dentro da minha forma de pensar naquele instante. Fui me aproximando devagar como quem tem uma estratégia definida. Quando cheguei perto o suficiente para dar o bote a galinha deu um salto e iniciou uma corrida entre os carros que estavam estacionados.
Depois que eu me cansei ela parou e ficou escondida embaixo do carro junto a uma roda. Fiquei parada e enquanto descansava um pouco pensei que aquele jogo de
gato e rato poderia durar horas e comecei a me desesperar. Agora só um milagre poderia me salvar. Foi aí que apareceu aquele anjo em minha vida. Não sei de onde vinha, pouco me importava, têm horas que só precisamos que as coisas aconteçam, não precisamos de explicação e nem significados.
O homem parou e sorriu para mim. Perguntou o que uma menina fazia ali espiando embaixo de um carro. Contei tudo a ele da forma mais resumida que consegui. Ele pediu que contasse de novo porque eu estava tão ansiosa para resolver aquilo tudo que atropelei as palavras e engoli sílabas. Voltei a contar tudo com mais calma e ele entendeu. Mal terminei e o homem se abaixou e deu uma boa olhada na galinha. Chegou perto de mim e quase cochichou no meu ouvido.
A estratégia era simples, enquanto eu atacava por um lado ele esperava do outro e procurava num só gesto conseguir êxito. Toda aquela confusão terminou de uma forma repentina. O homem capturou a galinha de uma forma tão eficaz que aquilo ficou cristalizado em minha memória, jamais esqueci. Depois de agradecer ao homem me dirigi à casa da lurdes e esperei que a galinha cumprisse seu destino. É claro que minha mãe nunca soube do acontecido.
Em 2014 numa viagem de 4 meses pela Europa fiquei um mês no apartamento de uma sobrinha em Londres no bairro de Collers Wood.
Procurei, então, entrar na vida do bairro e tive uma experiência que considero uma das mais importantes da viagem que foi dar aula de espanhol durante 2 semanas, na ausência do professor, na biblioteca local Donald Hope. Na primeira aula discuti um capítulo em espanhol do Dom Casmurro, na outra escolhi um tango de Gardel.
Em Londres os bairros tem biblioteca que são centros de convivência disponibilizando, entre outras facilidades acesso à internet, cursos de línguas., etc. Eu acompanhava as aulas de inglês, francês e espanhol.
Pude participar, também de uma exposição do bairro com fotografias. São exposições amadoras e que movimentam todo o bairro. ´
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| Aula de Espanhol |
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| Foto de Colliers Wood que apresentei |
Alex Lettnin, é um dos mais significativos e atuantes artistas pelotenses.
Dominando várias técnicas (entre outras gravura, aquarela, desenho ) está sempre presente seja como expositor, seja como espectador, em vários eventos artísticos tanto em Pelotas como em outras cidades. Acompanha desde o início os passos da GALERIA CÂMARA CLARA e tem lugar garantido entre seus expositores.
Somos hoje 70 integrantes do grupo.
Este grupo surgiu na esteira do movimento para a preservação da pavimentação de paralelepípedos da Rua Gen.Telles no ENTORNO DO CAFÉ LAMEGO.
Este movimento foi muito grande e aproximou artistas, pesquisadores, moradores e simpatizantes,
Artistas em geral ligados às artes plásticas, à literatua e ao teatro.
Por pouco não obtivemos êxito na ação que promovemos junto ao Ministério Público.
O movimento, contudo, não se extinguiu, pelo contrário , de imediato deu imçulso ao ressurgimento da proposta da GALERIA CÂMARA CLARA que já propiciou, em seu curto tempo de existência, a aproximação de interessados por Arte e Cultura.
Entramos, agora, numa fase de estruturar melhor a Galeria e aprofundar a parceria com a COSMOS HUB que é vizinha de porta e que dispõe de um espaço invejável para inúmeras iniciaitivas, inclusive, o que já está em andamento, projeção de filmes e produção de videos e de um podcast.
Esperamos, portanto, que sigam conosco em 2024, acompanhando nossas iniciativas.
Aproveitamos para reiterar que as intervenções dentro do grupo sejam sempre pertinentes aos temas propostos pela Galeria ( Cultura, Artes, Música, Literatura, Fotografia, Patrimônio) recorrendo com moderação ao emprego de emojs e figurinhas ou outros recursos semelhantes que possam distrair a atenção dos integrantes.
Recentemente esteve em visita por duas vezes à GALERIA CÃMARA CLARA o arquiteto ANDRÉ HUYER que mora em Porto Alegre e que desenvolve um importante trabalho na área de Preservação Patrimonial.
Foram dele dois Pareceres nos processos do REBOCADOR A VAPOR SILVEIRA MARTINS e do ENTORNO DO CAFÉ LAMEGO que permitiram , nestes processos que eu estava movendo no Ministério Público, que eles tivessem um fôlego importante.
No caso do ENTORNO seu Parecer levou inclusive o promotor a sustar, num dado momento, as obras de asfaltamento.
Em suas visitas foi o primeiro a dispor da nossa camiseta com a qual já vem circulando nos círculos artísticos e culturais de Pelotas e de Porto Alegre.
Na foto segura o livro HAVANA 63 de César Dorfman que nos deixou para a Biblioteca da Galeria.
No cenário das artes, um evento realizado pela Calil Leilões promete agitar os ânimos dos apreciadores de arte e colecionadores. O leilão traz renomadas obras, entre elas peças de Di Cavalcanti, Roberto Burle Marx, Jorge Guinle, Gustavo Rosa, Anita Malfatti, Oscar Niemeyer, Cícero Dias, e mais. O pregão foi determinado pela 11ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, como parte de uma ação de execução judicial.
As 87 preciosidades incluem não apenas pinturas, mas também esculturas, como as da renomada marca Moooi, e faziam parte do acervo do executado, cujo nome está sob sigilo devido ao processo judicial em andamento.