terça-feira, 13 de janeiro de 2026
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
O BULE MONSTRO- Manoel Magalhães
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No coração de Pelotas, onde o passo apressado das pessoas se misturava ao rangido antigo das calçadas, havia um lugar que não cabia apenas numa vitrine: o Bule Monstro. Não era só um bazar. Era uma pausa no tempo.
Entrar no Bule Monstro exigia certa disposição para o espanto. Logo na porta, os tecidos pendiam como bandeiras de países imaginários — sedas cansadas de festas, algodões que já tinham ouvido confidências, rendas que pareciam guardar a respiração das antigas salas de visita. Havia cores que não se usam mais, tons que só sobrevivem na memória das avós e nos sonhos de costureiras solitárias.
Mais ao fundo, os lustres. Ah, os lustres. Cristais que capturavam a luz do meio-dia e a devolviam em fragmentos, como se o sol tivesse sido quebrado em pequenos segredos. Alguns pendiam baixos, quase tocando as cabeças, obrigando o visitante a baixar o corpo — gesto involuntário de reverência. Outros, altos e majestosos, pareciam esperar um salão que nunca mais viria.
O Bule Monstro vendia também o inútil essencial: puxadores, porcelanas, copos de cristal com uma lasca na borda, mas ainda assim belíssimos. Objetos que não pediam urgência, apenas companhia. Coisas que não gritavam “compre-me”, mas sussurravam “lembre-se”.
Os vendedores conheciam o silêncio. Sabiam quando falar e, principalmente, quando não interromper o diálogo invisível entre o freguês e um pedaço de tecido antigo ou um lustre que já iluminara outros rostos. Ali, comprar era quase secundário; o principal era tocar o passado com a ponta dos dedos.
O nome — Bule Monstro — sempre pareceu uma provocação afetuosa. Um bule desproporcional, talvez, capaz de servir chá para uma cidade inteira, ou um monstro manso, feito de memória, poeira e brilho. Nada ali era assustador; o estranho era, antes, familiar demais.
Quando fechou, não foi apenas um comércio que se foi. O centro de Pelotas perdeu um dos seus espelhos mais delicados, aquele que refletia não o presente apressado, mas o tempo que insiste em ficar. Ainda hoje, quem passa por aquele trecho da rua jura ver, no reflexo das vitrines vizinhas, um lampejo de cristal — como se o Bule Monstro continuasse aceso, iluminando discretamente a memória da cidade.
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quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
15 PINTURAS FAMOSAS SOBRE O NATAL
terça-feira, 23 de dezembro de 2025
NATAL, MANJEDOURA E A MISSA DO GALO de Machado de Assis
NUNCA PUDE entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo à meia-noite. A casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Meneses, que fora casado, em primeiras núpcias, com uma de minhas primas A segunda mulher, Conceição, e a mãe desta acolheram-me bem quando vim de Mangaratiba para o Rio de Janeiro, meses antes, a estudar preparatórios. Vivia tranqüilo, naquela casa assobradada da Rua do Senado, com os meus livros, poucas relações, alguns passeios. A família era pequena, o escrivão, a mulher, a sogra e duas escravas. Costumes velhos. Às dez horas da noite toda a gente estava nos quartos; às dez e meia a casa dormia. Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Meneses que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. Nessas ocasiões, a sogra fazia uma careta, e as escravas riam à socapa; ele não respondia, vestia-se, saía e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube que o teatro era um eufemismo em ação. Meneses trazia amores com uma senhora, separada do marido, e dormia fora de casa
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
FESTIVAL CINEMA FRANCES
Em Pelotas, a programação ocupa o Cineflix entre 27/11 e 03/12,
sábado, 29 de novembro de 2025
REFORMAS NA GALERIA
quarta-feira, 19 de novembro de 2025
O BULE E O MONSTRO - Pena Cabreira
Na década de 60, em Pelotas, o menino com seus quatro ou cinco amigos, todos
moradores do centro, costumava perambular à noite pelas ruas seguras do comércio
parando de vitrine em vitrine onde praticavam um jogo pra lá de infantil, uma disputa.
Eles escolhiam para si os melhores produtos expostos - um por vitrine, e a cada vitrine
alternavam quem seria o primeiro a escolher, num rodízio. Ao fim do passeio, quem
“adquirisse” o melhor conjunto de produtos seria o ganhador daquela expedição. Essa
brincadeira ingênua e divertida tomava proporções surreais quando os moleques se
aproximavam do seu ponto final enquanto contabilizavam as “aquisições” de cada um.
O anúncio do vencedor da noite era feito exatamente na esquina da Andrade Neves
com a Sete de Setembro onde se deparavam e se encantavam com um bule gigantesco
pendurado na esquina de um bazar que tinha um nome assustador para aquela
piazada lotada de fantasias: Bule Monstro. E era realmente um objeto de proporções
estupendas pra aquela mandizada diminuta, mas não só, parecia ter sido extraído de
uma Alice no País das Maravilhas desenhado por um ilustrador gótico da pesada. Era
um bule realmente monstruoso, todo em ferro vazado com seus buracos preenchidos
com pedaços de vidros coloridos mas que, quando acesa a luz interna se transformava
num enorme e maravilhoso mosaico, numa jarra tridimensional luminosa e
multicolorida, mágica!
Era ali, no meio-fio da calçada sob luzes matizadas que se desembestava o
deslumbramento, começava a contação de histórias terrivelmente tenebrosas,
sanguinolentas e violentamente assustadoras, todas partindo do mesmo princípio: o
gigantesco monstro que dormia durante o dia no porão da Biblioteca Municipal e na
calada da madrugada saia pela rua Quinze de Novembro até aquela esquina para
servir-se de chá no seu querido Bule Monstro enquanto degustava transeuntes
desavisados das noites profundas, seu alimento predileto. Nenhum dos guris duvidava
daquela premissa que eles mesmo haviam inventado, uma mitologia tão convincente
que tinha até prova concreta - o bule! E mais, ele era colorido e luminoso porque o
monstro era meio cegueta e as cores brilhantes o ajudavam a localizá-lo. A partir daí,
cada um dos meninos se esforçava em superar o outro em histórias escabrosas
descendo vertiginosamente pelos calabouços da imaginação rumo ao medo. Até que,
algum deles começava a olhar ao redor e ao perceber que a noite apertava, lembrava
que a “hora do monstro” estava próxima e que era melhor ir embora, os outros riam,
debochavam, o acusavam de cagão, mas todos - um a um – dissimuladamente iam se
levantando, se despedindo e tomando o rumo de casa. Cada um carregando sua
porção de invenção e medo dentro de si.
sexta-feira, 14 de novembro de 2025
UMA CONVERSA COM JOICE LIMA
Ontem tivemos a visita de JOICE LIMA que volta a se integrar ao nosso grupo .
Eu a conheci quando acompanhava o grupo de teatro do IFSul dirigido por Valter Sobreiro Junior no qual Joice era atriz e eu fazia a fotografia
Como resultado deste trabalho me foi possível montar uma exposição, que percorreu, acompanhando as apresentações da peça,várias cidades do Rio Grande do Sul, inclusive Porto Alegre, chegando ir a Montevideu
A visita da Joice representa um passo significativo no sentido de ter dentro da proposta da Câmara Clara representantes dos vários setores de nossa Arte e Cultura, sendo Joice na Literatura uma representante determinada e talentosa.
Dentro das possibilidades de tempo e das condições, passamos a avaliar um momento em que, ainda este ano, possamos programar um evento com sua presença
Joice Lima é bacharel em Jornalismo (UFSM), licenciada em Teatro (UFPel) e especialista em Educação (IFSUL-Pelotas). Mora em Pelotas/RS, onde trabalha como jornalista na Secretaria de Comunicação do Município. Também é atriz, diretora de teatro e dramaturga. É fluente em inglês e espanhol.
Tem publicados quatro romances: os dramas contemporâneos Café Cortado (2021) e Hortênsias de Agosto (2018); o autobiográfico Uma gaúcha em Madri (2008, reeditado em 2020) e o thriller psicológico Amor doentio de mãe (2006, reeditado em 2022), além da comédia teatral adulta Depois do Happy Ending (2008, reeditado em 2020). Em 2023 lançou o primeiro livro de contos, De amor, de ódio e outras invenções, e em 2024, o primeiro livro infantil, O menino brilhante.
Integra as coletâneas De Quatro (2021), Aguaceiro (2023), Poção Literária (2024), Feitos de Luz e Sombras (2025) e Dramaturgia em Processo (2010).
quarta-feira, 12 de novembro de 2025
SILÊNCIO - Maria Clara Michels
Escuto esse silêncio como se dezenas de pássaros levassem seu canto ao ar ao mesmo tempo. Pousados nos fios, nas árvores, nas cercas, pulando nos campos, pelas estradas, aplicados construindo seus ninhos, alimentando filhotes, arrastando a asa um para o outro. Eu os escuto e é como se o silêncio não fosse rompido, pois fazem parte da paisagem...
Escuto esse silêncio como se pudesse escutar as flores se preparando para a Primavera. Enraizando sob a terra úmida, agregando cores e mais cores, tecendo folhagens e pétalas, se vestindo, delicadamente, com novas fragrâncias.
Escuto esse silêncio como se fosse chuva na noite, gota a gota escorrendo pelo telhado e deslizando pelo chão, a água mansa ou violenta, em torrentes, batendo contra as vidraças , percutindo contra as paredes, embalando o sono, lavourando a terra.
Escuto esse silêncio como se fosse o rápido e leve farfalhar das folhas em dia de pouca brisa, um bamboleio suave nos galhos, um agitar quase imperceptível para quem não procura...
Escuto esse silêncio como se fosse o canto das águas do rio, a mansidão das águas do mar ou da lagoa em dias sem vento, só um calmo marulhar que embala e tece promessas contra a areia.
Escuto esse silêncio como o ronronar de um gato, o pelo sedoso sob as mãos, o dorso arqueando, as patinhas que te procuram e te acariciam...
Escuto esse silêncio como o crepitar das chamas na lareira, no fogão de campanha, o vermelho e o dourado do fogo, o agradável estralar da lenha.
Escuto esse silêncio como uma orquestra, num palco iluminado,instrumentos brilhando em uma música memorável, rostos e mãos expressivos e ocupados, tecendo sons que nos levam ao sonho e constroem memórias.
Escuto esse silêncio como escutei pela primeira vez a voz da minha mãe, meu pai, de cada filho, neta, daqueles a quem amei, seus balbucios, murmúrios, suas palavras de amor, seu choro, seu canto.
E tudo isso que escuto, esse silêncio longo, profundo, doce, reverbera em meus ouvidos como cascata, como tuas palavras, tuas risadas, como teu próprio silêncio, meu próprio silêncio, minha paz, meu descanso.
foto M.C.Michels
Em 12/8/23
quinta-feira, 30 de outubro de 2025
" E V I D Ê N C I A S " - O ENCANTO DO T EATRO DE MARIONETES NAS CRIAÇÕES DE RENATO COELHO GUIMARÃES
Um visitante recente muito especial da GALERIA CÂMARA CLARA foi Renato Coelho Cuimarães que veio na companhia da marionete Sato Lep.
Sato Lep vai integrar o acervo da Galeria.
Renato Coelho Guimarães é artista plástico, natural de Pelotas-RS. Participou na finalização, estreia e circulação de mais de 100 apresentações do primeiro espetáculo do Teatro Navegante de Marionetes.
Em 1994 Renato residia na praia da Enseada das Garças, no Espírito Santo em uma comunidade artística. Catin Nardi e Rena.
Teve uma importante presença durante a resistência pela preservação da pavimentação de paralepípedos do Entorno do Café Lamego
Para encerrar através do link a seguir podemos acompanhar mais de perto aspectos de sua importante carreira como artista.
TEATRO NAVEGANTE- ARTISTA HOMENAGEADO >>>
terça-feira, 14 de outubro de 2025
UM TEMA PARA ALGUÉM - Ivanov Basso
sábado, 11 de outubro de 2025
VISITA DE RENATO GUIMARÃES, UM MESTRE DA ARTE DOS MARIONETES
Um visitante recente muito especial da GALERIA CÂMARA CLARA foi Renato Coelho Guimarães que veio na companhia da marionete Sato Lep.
Sato Lep vai integrar o acervo da Galeria.
Renato Coelho Guimarães é artista plástico, natural de Pelotas-RS. Participou na finalização, estreia e circulação de mais de 100 apresentações do primeiro espetáculo do Teatro Navegante de Marionetes.
Em 1994 Renato residia na praia da Enseada das Garças, no Espírito Santo em uma comunidade artística. Catin Nardi e Rena.
Teve uma importante presença durante a resistência pela preservação da pavimentação de paralepípedos do Entorno do Café Lamego
Para encerrar através do link a seguir podemos acompanhar mais de perto aspectos de sua importante carreira como artista.
TEATRO NAVEGANTE- ARTISTA HOMENAGEADO >>>
sexta-feira, 10 de outubro de 2025
JÚLIA ASSUMINDO NA GALERIA CÂMARA CLARA
Júlia Pafiadache é formanda do curso de Design da Universidade Federal de Pelotas e incorporou-se à equipe da GALERIA CÂMARA CLARA.
Entre suas atribuições relativas ás várias frentes que são desenvolvidas, algumas em parceira com a COSMOS HUB , se poderia destacar a mostra/video IMAGENS DO SILENCIO, os posters IMAGENS CATIVAS e os blogs A METADE SUL, GATA SUETO, e FLOTILHA.COM
E aproveitando seu interesse pelo tema da impressão podem estar surgindo alguns livros por aí
sábado, 4 de outubro de 2025
A GALINHA FUGIDIA - Enio Andrade
Eu tinha mais ou menos cerca de doze anos quando o fato aconteceu. Certa manhã minha mãe me chamou e disse que precisava que eu fosse até a casa da Lurdes. A Lurdes era uma amiga do tempo de sua juventude que tinha perdurado, talvez a única. Minha mãe tinha uma vida muito difícil e eu estava incluída, mesmo sem ter escolhido. Eram muitos irmãos, muita demanda.
O dia mal começava e já tínhamos que sair para dar conta de nossa sobrevivência. Naquele dia os “acontecimentos”, que era como chamávamos nossas dificuldades começaram cedo. O gás acabou um pouco depois das dez horas da manhã. Justo naquele dia em que minha mãe iria fazer um arroz com galinha. A galinha nos foi dada por um pai de santo amigo de minha mãe. Era uma sobra de um “trabalho” que lhe fora encomendado.
- vai lá na lurdes e pede pra ela fazer uma comida.
Eu assenti com um gesto de baixar a cabeça. Minha mãe passou a mão em um balaio e botou a galinha ali dentro. Esqueci de mencionar que a galinha estava viva. Não era incomum que as pessoas matassem as galinhas em casa. Eu mesma já tinha visto muitas vezes minha mãe matar várias. Confesso que não era uma coisa boa de se ver. A pessoa pegava a galinha e começava a girar a bicha no ar até que o pescoço quebrava e pronto. Outras colocavam uma das mãos na base do pescoço da galinha enquanto colocavam a outra mão mais próxima à cabeça e puxavam as duas mãos ao mesmo tempo e em sentido contrário.
O balaio tinha duas tampas, minha mãe me advertiu para que não o abrisse.Fui andando na direção da casa da lurdes. A lurdes morava a cerca de dez quadras de nossa casa. Era ali no centro, bem pertinho. Fui andando distraída como era o meu costume, atenta a tudo que fosse curioso e desatenta com o restante. Ao chegar à rua almirante
barroso parei porque era uma rua muito movimentada e minha mãe sempre dizia para tomar cuidado.
Minha mãe não precisava nem sair de casa para tomar conta de mim, estava em minha cabeça como uma espécie de consciência. Sempre dizendo, faça isso, faça aquilo, com aquela sutileza de locomotiva, que ela não me ouça. Ao parar para olhar para os dois lados tive a curiosidade de conferir se estava tudo bem com a galinha.
Mal abri a tampa do balaio e a galinha num gesto abrupto a empurrou com a cabeça e saltou para a liberdade. A galinha devia estar com muito medo porque só o desespero nos faz tão corajosos, mas o que estou dizendo? Passado aquele primeiro momento de surpresa comecei a me desesperar, e agora? Minha mãe vai me matar.
Precisava fazer alguma coisa. Não conseguia pensar direito, a imagem de minha mãe ouvindo sobre a perda da galinha povoava a minha cabeça de uma tal maneira que sobrava pouco espaço para uma reação. Enquanto eu me debatia em lamentações a galinha já tinha atravessado a rua movimentada e estava parada bicando o chão em busca de algo para comer, pensava eu.
A imagem da galinha ali parada recobrou em mim alguma esperança, quem sabe eu a pudesse recuperar e apagar de minha mente aquelas cenas horríveis em que minha mãe me tirava o couro. Decidi ir atrás da galinha, atravessei a rua resoluta e com uma determinação que não julgava possuir, devia ser algum arroubo de coragem apreendido por mim de algum personagem daquelas fotonovelas intermináveis que eu lia com tanto gosto em um dos poucos intervalos que aquela vida miserável me permitia.
A galinha continuava lá impassível, parada ali como se quisesse me desafiar. A liberdade daquela galinha era como uma afronta dentro da minha forma de pensar naquele instante. Fui me aproximando devagar como quem tem uma estratégia definida. Quando cheguei perto o suficiente para dar o bote a galinha deu um salto e iniciou uma corrida entre os carros que estavam estacionados.
Depois que eu me cansei ela parou e ficou escondida embaixo do carro junto a uma roda. Fiquei parada e enquanto descansava um pouco pensei que aquele jogo de
gato e rato poderia durar horas e comecei a me desesperar. Agora só um milagre poderia me salvar. Foi aí que apareceu aquele anjo em minha vida. Não sei de onde vinha, pouco me importava, têm horas que só precisamos que as coisas aconteçam, não precisamos de explicação e nem significados.
O homem parou e sorriu para mim. Perguntou o que uma menina fazia ali espiando embaixo de um carro. Contei tudo a ele da forma mais resumida que consegui. Ele pediu que contasse de novo porque eu estava tão ansiosa para resolver aquilo tudo que atropelei as palavras e engoli sílabas. Voltei a contar tudo com mais calma e ele entendeu. Mal terminei e o homem se abaixou e deu uma boa olhada na galinha. Chegou perto de mim e quase cochichou no meu ouvido.
A estratégia era simples, enquanto eu atacava por um lado ele esperava do outro e procurava num só gesto conseguir êxito. Toda aquela confusão terminou de uma forma repentina. O homem capturou a galinha de uma forma tão eficaz que aquilo ficou cristalizado em minha memória, jamais esqueci. Depois de agradecer ao homem me dirigi à casa da lurdes e esperei que a galinha cumprisse seu destino. É claro que minha mãe nunca soube do acontecido.
quarta-feira, 1 de outubro de 2025
MANOEL MAGALHÂES, ROMANCISTA E PINTOR NAIF ESTÁ NA GALERIA
Manoel Magalhães, é pelotense , jornalista, escritor e pintor naïf,
Como romancista tem tem seis livros publicados: Guerra Silenciosa, livro-reportagem; Dois Textos Marginais . contos; O Abismo na Gaveta romance; O Homem que Brigava com Deus , romance; Vampiros - romance.
Magalhães também é autor teatral e roteirista de cinema. Em 1982 ganhou o Prêmio João Simões Lopes Neto, gênero teatro, e em 2005, no mesmo Prêmio, gênero contos, foi finalista com o conto A Mosca, publicado na antologia de Contos João Simões Lopes Neto.
Como jornalista trabalhou no Diário Popular, Pelotas; no Diário Catarinense, Florianópolis; e Correio Braziliense, Brasília. Viajou pelo país como free-lance, vendendo reportagens para vários jornais brasileiros.
Em 2013 lançou o romance "Senhora do Amor", ambientado em Pelotas nos anos 50, narrando a passagem pela cidade dos pintores italianos Aldo Locatelli e Emílio Sessa, editado pela Editora Livraria Mundial.
O quadro acima é parte do Acervo da Galeria Câmara Clara e a modelo é a Gata Sueto (www.gatasueto.com)
quinta-feira, 25 de setembro de 2025
GILBERTO ISQUIERDO SERÁ PATRONO DA FEIRA BINACIONAL DO LIVRO 2025 DE JAGUARÃO
Na manhã desta quinta-feira (25), o prefeito Rogério Cruz, acompanhado do vice-prefeito Jonas Barreiros e do secretário de Cultura e Turismo Ricardo Pereira, confirmou o nome do escritor Gilberto Isquierdo como Patrono da 13ª edição da Feira Binacional do Livro de Jaguarão.
quarta-feira, 17 de setembro de 2025
DUCA LESSA CONFIRMA PARTICIPAÇÃO NA MOSTRA ACERVO

DUCA LESSA, tem seu nome fortemente ligado à Fotografia a qual tornou sua profissão.
Na foto, com a câmera na mão e atuando como repórter no início da sua carreira, procura o melhor momento para registrar a presença de Ulysses Guimarães em um ato público.
Sua presença, portanto, na Mostra do Acervo que estamos organizando e que nos está confirmando , é muito animadora para a GALERIA CÂMARA CLARA.
terça-feira, 16 de setembro de 2025
CHRISTIANE SENRA EXPÕE NO URUGUAI
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segunda-feira, 8 de setembro de 2025
VISITA DE IVANOV E MARTHA - LITERATURA, MÚSICA E FOTOGRAFIA NA CONVERSA
terça-feira, 26 de agosto de 2025
ALEX LETTNIN, UM DOS FUNDADORES DA CÂMARA CLARA
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| xilogravura |
segunda-feira, 25 de agosto de 2025
LEMBRETES

Os integrantes são selecionados pois prevalece a ideia de valorizar a qualidade e, não, a quantidade.
O número vem aumentando gradativamente e, raras vezes, alguém saiu.
Temos insistido que as postagens não se afastem de assuntos culturais e, igualmente, que evitem o emprego de emojs e outras figurinhas em geral justificando, nestes casos, que as mensagens sejam apagadas..
Contamos , neste momento, com a estrutura bem estruturada da COSMOS HUB disponibiliza. avançados recursos para gravações de entrevistas, videos, etc.
Nosso propósito, neste momento, é realizar uma exposição com trabalhos que estejam no acervo da Galeria e uma sessão de autógrafos.
Enfrentamos as dificuldades de concluir as intervenções que nos propusemos fazer as quais, no casso do prédio considerando que está completando 100 anos são muito específicas.
A título de esclarecimento a gatinha da foto é a SUETO bem novinha, mascote e mentora de nossas ações.
sábado, 23 de agosto de 2025
RONALDO FOSSATI, CONSIDERAÇÕES SOBRE A OBRA - P.R.Baptista.
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| Fonte das Nereidas, as quatro musas instaladas no chafariz |
Dois aspectos, entre outros, chamaram-me a atenção.
O primeiro sua fidelidade ao figurativismo desenvolvido predominantemente com a técnica da pintura a óleo ou acrílica
O outro é a predisposição em levar suas concepções estéticas ao plano, nem sempre muito frequente entre os artistas, da discussão.
Estas concepções estão em parte concentradas num blog que desenvolve a partir de 2006, permitindo, a par do acompanhamento visual de seu trabalho, o entendimento de suas ideias, não só no plano estético, mas também filosófico e político
A mostra atual, intitulada Estratificação, alusão às várias camadas de tinta que se sobrepõem na pintura , reúne trabalhos com diferentes temas e produzidas em diferentes momentos
Parece, desta forma, uma espécie de retrospectiva de sua obra
Mas nada mais oportuno e adequado para esclarecer o seu trabalho do que resgatar trechos de seu pensamento que expõe durante vários anos neste blog.
Em agosto de 2006 escreve : O que eu faço é Pintura!
Executo uma pintura figurativa e realista, atenta a regras de composição e de luz e sombra que reproduz tonalidades próximas as cores reais, com pinceladas estudadas e vigiadas, nem sempre obedientes, mas mais comportadas que descontroladas, que se inclina mais para o hiper-realismo que para o resultado de obras feitas com pinceladas gestuais, enérgicas e soltas como as do expressionismo. Alem do simbolismo do corpo desejo a simulação da realidade visível executada com minha "caligrafia".
Mais adiante, em 2008, por ocasião da exposição "Porque pintura" com seis artistas , conta que suas obras são representações de fotografias, utilizadas como referente, de onde a imagem principal é "recortada". "Procuro dar personalidade ao resultado pictórico em busca de uma marca pessoal", comenta. Em alguns dos trabalhos, o artista utiliza a justaposição de objetos à tela, procurando reforçar a mensagem visual.
![]() |
Carreiras Elétricas, 2005
acrílico sobre tela, 97 X146 cm
|
Ao fim de nossa entrevista, que se transformou num bate-papo agradável , retornamos a pé, já noite, da galeria até o centro. Durante o trajeto, que é um pouco longo, damos continuidade aos aspectos discutidos até então. Na conversa vão-se entremeando comentários relativos tanto à experiencia de Porto Alegre onde Fossati tinha se radicado e onde morei durante 6 anos, quanto às lembranças de Pelotas.
E se estende até uma parada para um chopp no Mercado.
Ao final descobrimos que somos vizinhos.nas imediações da Católica.
Talvez esta zona esteja se tornando um reduto de artistas.
LOCAL Galeria JMMoraes , Espaço Ágape , Rua Anchieta, 4480 Pelotas
PERÍODO: até 11 de outubro de 2019
sexta-feira, 22 de agosto de 2025
EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA
No dia 22 de agosto, às 18h acontecerá a abertura da exposição
O MAR DE DENTRO E O MAR DE FORA -
As paisagens esquecidas do Sul do Brasil
Fotografias do Coletivo [PHOTO]dErivA
Beatriz Thiesen, Célia Pereira, Estefano Lessa, Fernando Mendonça, J.C. Celmer, Karla Nyland, Miguel Isoldi, Rita Gnutzmann, Ubirajara Santúrio dos Santos
Local
4Galeria de Arte e Café
Rua Dr. Amarante, 608 - Centro, Pelotas
domingo, 17 de agosto de 2025
MARA SICCA - ACERVO DA GALERIA
,
Brasileira de Pelotas, Rio Grande do Sul, Mara Sicca desde menina sempre gostou de desenhar e se encantava com livros sobre arte.
Pintura em papel, acrílico, óleo, pastel, bico de pena são técnicas que aprendeu em vários cursos no Sul do Brasil e no Rio de Janeiro.
Como ela mesma diz " o abuso de cores e formas redondas, muitas vezes sensuais passam a minha alegria!
Assim surgiram muitas gordas e gordos em suas telas expressivas e coloridas, esta tela abaixo está na minha casa! É linda!
"Ceramicar" também faz parte de sua arte: papel machê, papietagem, argilas, tudo se transforma em arte na criatividade de Mara.
Muitas foram suas exposições mostrando seu talento em obras muito bem aceitas pelos amantes da arte.
Criando personagens, caricaturas, figuras alegres e multicoloridas, bichos que fazem parte de sua vida, Mara nos transmite sua alma de artista.
Geminiana, uma borboleta esvoaçante, colorindo o mundo e a vida, mostrando com seus pincéis a metamorfose das cores e sua criatividade.
Identificada com o tema das gordas em alguns momentos também dedicou atenção aos felinos que muito aprecia.
Um destes momentos é a tela reproduzidas acima que está integrada ao acervo da GALERIA CAMARA CLARA na qual retrata a mascote GATA SUETO.
A seguir um dos trabalhos da artista explorando seu tema predileto



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